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MrBeast gravou com 1.107 câmeras ao mesmo tempo. O útil é o que a equipe já dá por perdido

Mil GoPros e outros 107 corpos, gravando juntos. O número é o truque; o que vale é o que a equipe já conta que vai quebrar.

O avatar do canal do MrBeast: uma cabeça de pantera azul rugindo, atravessada por um raio rosa
Credit: youtube.com/@MrBeast

Em fevereiro de 2025, o Guinness World Records publicou a contagem da primeira temporada de Beast Games: 44 recordes, três deles sobre câmeras. O que vale ler duas vezes é "mais câmeras gravando simultaneamente em um reality show de competição": 1.107 ao mesmo tempo, das quais 1.000 eram GoPros. Os outros dois, do mesmo anúncio, são 43 câmeras de cinema usadas em uma única temporada de um reality show de competição e 1.000 motion cams em um só desafio. Os três números são do próprio Guinness.

Um número desses é um truque, e é para ser mesmo. O que não é truque é o formato que está embaixo dele, e esse formato tem algo a dizer sobre a câmera que você já tem.

A proporção importa mais que o total

Divida o recorde e ele fica diferente: 1.000 GoPros e 107 de todo o resto. Cerca de nove em cada dez corpos naquele set eram câmeras de ação de consumo — o mesmo produto que alguém compra na loja e prende no capacete. Os outros 107 eram os que tinham uma pessoa atrás.

Não é uma produção economizando com equipamento barato. É uma produção usando equipamento de consumo para a única coisa que equipamento de cinema não consegue fazer: estar em todo lugar ao mesmo tempo, sem ninguém do lado, e não importar individualmente. Uma GoPro parafusada numa parede, nesse contexto, quase não é uma câmera. É um sensor, e mil delas são um arranjo. Fazer mil funcionarem de uma vez vira um problema próprio: energia, sincronismo e alguém indo fisicamente buscar o que elas gravaram.

A equipe já conta com câmeras morrendo

Na Bild Expo, em Nova York, duas pessoas da equipe do MrBeast descreveram a outra metade do arranjo, e a Digital Camera World cobriu o painel. Joshua Kulic, que chefia a pós-produção dos programas do MrBeast, disse que a equipe tem carcaças derretidas de câmeras forrando a maleta. Ryan Elwell, chefe do departamento de câmera, descreveu o outro lado: ele já pôs muito equipamento em situações comprometedoras e pretende continuar, e se um trem vai bater num Lamborghini ele põe uma câmera bem ali, e lá se vai aquela câmera, porque a tomada vale. O exemplo que ele citou é um vídeo publicado, Stop This Train, Win a Lamborghini.

Repare na palavra que Kulic usou. Derretidas, não esmagadas. Uma maleta de corpos que cozinharam, não de corpos que se quebraram na pancada. Isso é uma pessoa descrevendo uma maleta num evento do setor, não uma estatística de falhas, e ler como estatística seria um erro — mas aponta para algo específico, e não é aquilo para o que a maioria se prepara. O calor é a única coisa da lista do que realmente tira câmeras de serviço num set que não precisa de acidente para acontecer.

O que isso muda para a sua

Uma produção que pode dar de ombros e dizer "lá se vai aquela câmera" já cobriu aquele ângulo duas vezes. Esse é o método inteiro: o que importa é sustentado por mais de um corpo, então um corpo que para é um problema de contabilidade e não uma cena perdida. Você tem uma. A mesma falha — uma carcaça plástica vedada, sem ventoinha, gravando em bitrate alto no sol até desligar sozinha — custa a tarde.

O que se aproveita não é "tenha mais câmeras". É a ordem em que uma produção desse tamanho trata as coisas que param uma câmera pequena:

Mesmo para eles, o recorde é exceção

Essa outra gravação é a comparação útil. O diretor de fotografia Jason Elliott deu os números em um relato que a VP Land publicou: cerca de 300 câmeras mais 100 tablets, aqueles 46 gravadores, perto de 56 milhas de cabo — uns 90 quilômetros — e petabytes de material. São números dele, não algo medido aqui. Trezentas é mais ou menos um quarto do recorde e continua absurdo por qualquer régua de fora daquele prédio. A lista misturada de marcas que Elwell deu para essas gravações — Canon, Sony, GoPro e iPhones, com corpos Arri e Red na mesma ordem do dia — segue a mesma lógica, que é por que uma só gravação mistura Arri e iPhone. E tudo isso precisa pousar em algum lugar, que é de onde vêm os petabytes.

O que não se sabe

O Guinness contou câmeras gravando. Não contou câmeras que entregaram material aproveitável, e ninguém publicou quantas das mil GoPros falharam durante a temporada nem de quanto em quanto tempo eram trocadas. O modelo é público — a GoPro diz HERO12 Black — e a taxa de falhas não. Aqui não existe um número de durabilidade. Existe uma frase sobre uma maleta.

E as condições não são as suas: energia da rede, riggers e uma equipe cujo trabalho é buscar os cartões. O que um set desses demonstra sobre equipamento de consumo, demonstra sobre equipamento usado do jeito que um set usa: montado uma vez, abandonado e substituído sem cerimônia. A distância entre uma gravação e um teste é a primeira coisa que some quando a história é recontada, e é a mesma distância que decide o que um teste de durabilidade filmado prova de verdade.

O recorde é a manchete; a maleta é a parte útil. Se o que te trouxe aqui foi o número, a mecânica de fazer tantos corpos pequenos funcionarem juntos está em filmar com mil GoPros. Se foram as carcaças derretidas, a pergunta mais afiada é quais falhas são calor e quais são todo o resto, e essa está em as câmeras que morrem no set. Nenhuma das duas termina em algo para comprar. As duas terminam no mesmo hábito: uma produção se planeja contando que o equipamento falhe, e a câmera que está na sua mochila tem essa mesma falha sem nenhuma reserva atrás.

Última atualização 22 de setembro de 2026

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