Se a sua TV roda webOS ou Tizen, existe uma chance real de que algum dos seus apps tenha passado os últimos meses alugando, em silêncio, a sua conexão de internet. A empresa de segurança Spur escaneou 6.038 apps das lojas de Smart TV da LG e da Samsung e encontrou código de proxy residencial em 34,1% deles — 42,5% na LG, 26,9% na Samsung. Essa pesquisa é de 23 de junho; o que mudou é que as duas empresas responderam depois, em prazos diferentes, e nenhuma das duas respostas terminou da mesma forma.
O que um proxy residencial faz de verdade
Um SDK de proxy residencial deixa um terceiro passar o próprio tráfego web pela conexão de internet da sua TV, de modo que esse tráfego parece, para qualquer site, tráfego saindo de uma casa comum. O relatório da Spur cita o SDK da Bright Data, em variantes como "Bright SDK", em 367 dos apps marcados, além de uma quantidade menor com o Honeygain, da Oxylabs. O app não precisa estar aberto para isso funcionar: ele roda em segundo plano enquanto o componente de proxy continuar instalado, e nada na tela avisa que isso está acontecendo.
A LG diz que já terminou
A LG confirmou à Krebs on Security em julho que ia suspender qualquer app que colocasse suas TVs numa rede de proxy residencial, com um porta-voz afirmando sem rodeios que "uma rede de proxy residencial não é um uso pretendido para as smart TVs da LG". Até 15 de setembro, depois de cerca de dois meses revisando sua loja, a LG diz que esse processo de remoção terminou. Isso é o que a LG diz sobre a própria faxina, não uma auditoria externa do resultado.
A Samsung ainda está nisso
A resposta da Samsung começou mais tarde e avançou mais devagar. Em agosto, a empresa restringiu novos envios de apps com funções de proxy e adotou uma política, para toda a plataforma, banindo SDKs de proxy residencial daqui para frente. Para os apps que já estavam na loja, o próprio comunicado da Samsung diz que está "trabalhando para identificar e remover todos os apps disponíveis atualmente" — um processo em andamento, não concluído, segundo a cobertura mais recente de 18 de setembro.
O que nenhuma das duas disse
Tirar um app de uma loja impede que gente nova o instale. Nenhum comunicado das duas empresas diz se essa remoção também apaga o app de uma TV que já o tinha instalado, nem se um app retirado da loja continua rodando seu código de proxy nos aparelhos onde já estava antes da proibição. Essa lacuna importa mais do que qualquer um dos dois anúncios, e até que uma das duas empresas trate disso diretamente, a resposta honesta é que ninguém fora da LG e da Samsung sabe.
O que checar, na prática
Abra a lista de apps instalados da sua TV e procure algo que você não lembra de ter instalado ou que não abre há meses — apps gratuitos que prometem uma biblioteca incomumente grande de conteúdo pirata ou obscuro foram o padrão mais citado pelos pesquisadores. Desinstalar algo que você não usa não custa nada e fecha a porta independente de qual revisão de loja esse app tenha ou não passado. E isso não se limita à LG e à Samsung: a cobertura da Krebs mostra o mesmo SDK da Bright Data aparecendo em apps gratuitos de plataformas como Roku, Comcast e Sky, então uma TV de nenhuma das duas marcas fica automaticamente de fora do problema.
Nada disso tem a ver com qual painel fica melhor na sua sala — tem a ver com o que o software de uma TV faz quando ninguém está olhando a tela. Se o que você está comprando é a imagem, o que muda de verdade nas TVs Micro RGB da Samsung e o que a LG está fazendo com um backlight RGB no MRGB95 falam do hardware, não da loja de apps que roda por cima dele.
Última atualização 24 de setembro de 2026